Paizinho, Vírgula: uma aula com Thiago Queiroz sobre criação dos filhos
Quebrar mitos da educação infantil pode ajudar a criar uma geração com relações mais saudáveis
Você já parou para pensar no impacto da educação infantil? Não à toa, existem tantos livros sobre maternidade que abordam o tema. Até porque, mais do que criar nossas crianças, a gente acaba moldando como uma futura geração vai agir, transformando as relações para melhor. Isso tem muito a ver com o conceito de parentalidade, da psicanalista Vera Iaconelli, bem lembrado por Thiago Queiroz, escritor, autor e criador de conteúdo no Paizinho, Vírgula.
Neste texto, nós conversamos com Thiago sobre criação com apego e disciplina positiva — que trazem inúmeros ganhos para a educação infantil. Quais são eles? Continue com a gente para entender.
Thiago Queiroz e seu interesse por educação infantil
Thiago, hoje pai de quatro crianças, teve seu interesse por tudo o que envolve a educação infantil logo quando seu primogênito, Dante, nasceu. “Como pai de primeira viagem, eu estudava para ter uma boa relação com meu filho — uma relação respeitosa, com vínculo legal, porque eu não tive essa referência no meu modelo paterno, de dar beijo e abraço, meu pai tinha uma visão mais conservadora”, conta.
Assim, quanto mais estudava, mais Thiago tinha essa vontade de dividir o conhecimento. Primeiro por meio de blogs, mas depois nos mais diversos canais, incluindo o livro Abrace Seu Filho e podcasts que abordam maternidade e paternidade, como o Coisa de Criança.
“Comecei a escrever sobre criar com afeto e disciplina positiva e como eu vivia isso com meu filho, e as pessoas começaram a mandar perguntas. Nisso, quis devolver à comunidade o que eu aprendia, fazendo encontros presenciais primeiro, que evoluíram para canal no YouTube e podcast”, relembra.
É por essa razão que o blog da Granado Bebê fez questão de trazer o conhecimento de Thiago para pais, mães e responsáveis pela educação infantil. Afinal, a criação de um pequeno pede que os responsáveis estejam juntos e engajados no tema.
O impacto da educação infantil
É claro que em um primeiro momento, a educação infantil diz respeito às crianças ao seu redor, mas não podemos encarar isso como um evento isolado, e é aí que entra a questão da parentalidade, que pontuamos logo no comecinho do texto.
“Como sociedade, estamos cuidando da próxima geração. Por isso, cabe questionar e ver o que pode melhorar. É um estágio de evolução, entender que não basta trocar uma fralda ou fazer o que a mulher pediu”. Aqui, Thiago nos leva a repensar o papel do pai, que, até hoje, muitas pessoas acreditam que é ajudar a mãe (quando possível), e não no sentido de dividir as tarefas.
“Hoje, nossas famílias são reduzidas. Muitos vêm morar em cidades grandes, longe da família e possíveis redes de apoio. Assim, muitas mulheres ficam sobrecarregadas quando não existe uma divisão de tarefas com os pais”.
Esse distanciamento emocional dos pais com os filhos impede a educação infantil com afeto, como falamos mais na sequência. Afinal, criar crianças e educá-las é uma tarefa coletiva — como um provérbio africano bem diz: “é preciso uma aldeia para educar uma criança“, ou seja, é uma tarefa das mães, dos pais, da escola e da sociedade em geral.
O conceito de criação com apego e como ele beneficia as crianças
Você já ouviu pais e responsáveis falando que o mundo é difícil e as crianças precisam aprender a sobreviver desde cedo? Pois é, esqueça essa máxima. A criação com apego busca a empatia, afinal, o bebezinho sai de um lugar (o útero) onde o conforto é gigantesco, a temperatura é amena e os barulhos sempre agradáveis para um universo muito menos acolhedor.
“Muitos teóricos dizem que a sensação de um bebê ao nascer é de uma queda constante, visto que não estão mais no colo, onde ficaram por 9 meses na gestação”, diz Thiago Queiroz.
Por isso, a empatia e o acolhimento na educação são tão necessários. “A criação com apego vem para ajudar a entender como criar vínculos seguros com nossos filhos. Isso veio com o psicanalista John Bowie, que começou a estudar para entender as crianças do pós-Guerra, que estavam órfãs. Mesmo tendo roupa, comida e demais itens de sobrevivência, não tinham afeto e pereciam”, explica Thiago. Nesse sentido, a chave para o bom desenvolvimento é o vínculo que vamos construir, mais forte nos primeiros anos, os famosos 1000 dias.
“Acaba sendo um padrão que a criança vai usar para o resto da vida. A forma como nos relacionamos com nossos pais é o que molda o que a gente faz pra se envolver. Se criamos vínculos seguros, estamos criando potenciais adultos que vão se relacionar de forma saudável”, comenta o especialista.
As transformações necessárias para uma educação infantil com afeto
Criar com apego é entender que precisamos quebrar mitos. “O bebê não chora por manha, chorar é sua forma de se comunicar. Se ele chora, está se sentindo inseguro, então é interessante pegar no colo e atender essa demanda. Quando atendemos às necessidades, estamos passando a mensagem de que ele não está sozinho, isso ajuda a construir as sinapses do bebê”, revela o especialista.
Como pais e responsáveis, é importante criarmos uma base segura para os filhos se desenvolverem. “A infância não é pra sobreviver, é para florescer”, pontua Thiago.
A disciplina positiva e os desafios da educação
Acolher o bebê sempre que ele chora chega a ser cansativo, mas é um dos pontos que ajudam na disciplina positiva.
Um exemplo que Thiago dá é a famosa birra da criança em loja de brinquedos, ao chorar porque quer algo. Em geral, as duas reações mais comuns são que os pais fiquem bravos e estressem ainda mais a criança, ou comprem o brinquedo para dar fim ao escândalo. Duas atitudes que não são as mais recomendadas de acordo com a disciplina positiva.
“A disciplina positiva não é o equilíbrio entre permissividade e autoritarismo. Nesse exemplo da birra, conversar com a criança e falar que você entende o que ela está sentindo e oferecer um abraço ou um suporte emocional é melhor. Com calma, você acalma a criança”, comenta.
Se você torceu o nariz achando que não adianta, Thiago traz um ponto para sua reflexão: “é preciso tentar de forma genuína, afinal, o cérebro da criança não está preparado para agir com frustração, e essa compreensão permite à criança ter ferramentas para lidar com sentimentos ruins quando você não está perto”.
As estratégias para aumentar o vínculo com os filhos
Esse suporte emocional e acolhimento já são estratégias para aumentar o vínculo com as crianças, mas, além disso, Thiago cita algumas outras técnicas, como:
- estabelecer limites e rotina — não os limites violentos, mas um limite aliado à rotina, como um horário já previsto para assistir à TV, por exemplo um quadro com horários pode facilitar a compreensão;
- dar a opção de escolhas restritas, por exemplo: “não é perguntar o que quer comer e quando comer, mas reduzir as opções. São escolhas limitadas para a criança escolher e se sentir bem com isso”;
- optar por bons momentos em família, entre as atividades domésticas para crianças, os jogos de tabuleiro são uma pedida e tanto: “eu adoro jogar com meus filhos, acordamos cedo para jogar. Eles amam, é nosso momento”.
A educação infantil com afeto pede que a gente quebre mitos antigos e olhe com mais empatia aos pequenos. Claro que não é das tarefas mais simples, mas pode ser muito gratificante, principalmente ao lembrar que estamos moldando o comportamento de uma nova geração. Como Thiago disse, a infância é para florescer.
Nossa dica é compartilhar o texto nas suas redes sociais, o que pode ajudar outros pais e responsáveis!