Descubra quanto tempo a mama demora para encher de leite
Será que vai faltar leite para a próxima mamada? Neste artigo, explicamos como é o processo de produção de leite materno
A maternidade é cercada de mitos, dúvidas e incertezas, e o momento da amamentação é um deles. Logo que o bebê nasce, surge a expectativa em relação às suas mamadas e, é claro, a tudo o que diz respeito à produção materna. “Será que tenho leite suficiente?” e “Quanto tempo a mama demora para encher de leite?” são apenas algumas das perguntas das recém-mamães.
Para esclarecer essas e outras dúvidas comuns sobre amamentação, a gente conversou com Paloma Brandão, que é enfermeira neonatal, doutoranda, mestre e especialista em aleitamento materno. Veja só o que ela tem a dizer sobre o assunto!
Como é o processo de produção de leite na mama?
A produção efetiva de leite começa assim que a mãe entra em trabalho de parto (ou, no caso de cesárea agendada, assim que o bebê começar a sugar a mama). O primeiro leite é o colostro — um tipo de leite materno mais proteico, que é rico em imunoglobulina e proteínas e tem pouca gordura.
Paloma explica que, entre o 3º e o 4º dia de vida do bebê, a mãe vai ter um pico de produção de leite, que é conhecido como apojadura — a famosa “descida do leite”. Nesse período, o corpo da mãe começa a se transformar para receber esse leite mais gorduroso.
Depois do colostro, há o leite de transição, que é mais calórico, tem maior concentração de carboidratos e gorduras, além de ser mais líquido e branco. Conforme os dias passam, o leite muda e a capacidade gástrica do bebê também — ele pode agora receber e digerir o leite mais gorduroso.
Porém, a enfermeira avisa que esse ainda não é o leite maduro. Ele só é alcançado após os 15 dias de vida do pimpolho. Esse, sim, rico em gorduras e carboidratos, é conhecido como “leite feijoada”, pois é mais difícil de ser digerido e é o que vai dar a sensação para a mãe de que o seu filhote está mais satisfeito.
No entanto, Paloma lembra que isso não significa que durante as outras fases o bebê não estava saciado. Tanto o colostro quanto o leite de transição são suficientes para o nenê; porém, a criança se satisfaz pelo menor tempo possível, entendeu?
Aqui, a especialista já acha superimportante lembrar que a produção de leite materno não é estanque: é rítmica e constante e, quanto mais o bebê suga, mais leite a mãe produz. “É a incrível fábrica de leite materno”, brinca Paloma, “se o bebê mamar e dali uma hora ele quiser de novo, não vai faltar leite, porque a mama está produzindo constantemente, conforme o bebê suga”, completa.
Em outras palavras, não existe um intervalo de tempo para que a mama volte a encher de leite. “Nenhuma mama vai ter a capacidade de armazenar todo o volume que o bebê precisa naquela mamada”, explica. Por isso, enquanto o bebê mama, o corpo produz mais leite ao mesmo tempo.
Qual é o tempo médio que o bebê mama?
Além de querer saber quanto tempo a mama demora para encher de leite, as mamães também têm dúvidas quanto ao tempo de mamada dos seus filhotes e o intervalo entre elas. Paloma Brandão nos diz que, até o bebê completar 15 dias de vida, como o corpo da mãe está transformando o leite e o bebê está em adaptação, a livre demanda é bem-vinda.
Ou seja, se o bebê pedir para mamar antes de 3 horas da última mamada, pode oferecer, porque ele deve estar com fome mesmo. Lembrando que a livre demanda é quando o bebê acorda, procura o peito, e a mãe oferece a mama.
A enfermeira explica que a livre demanda só é preocupante nos casos em que o bebê não acorda e permanece dormindo, isto é, não pede para mamar. Como há risco de o bebê ter hipoglicemia, é aconselhável acordá-lo a cada 3 horas para mamar, até os 15 dias de vida.
Depois disso, o pediatra vai avaliar o ganho de peso do bebê e, de acordo com o seu desenvolvimento, libera para mamadas mais espaçadas. Agora, em relação ao tempo de mamada, Paloma comenta que varia de bebê para bebê.
“Aí é o momento de saber diferenciar se o bebê está mamando ou apenas chupetando”, explica Paloma. “Muitas mães olham só para o queixinho mexendo, mas é preciso observar o movimento de deglutição no pescoço do bebê”, esclarece.
O aconselhado, nesse caso, é no mínimo 15 minutos para mamar, e é normal 30 ou 40 minutos em cada peito. Mais do que isso, é provável que o bebê mesmo já esteja cansado, mas se ele pedir mais um pouquinho, ofereça o outro peito.
É comum ficar sem leite disponível?
Paloma nos lembra que é normal ter variações na produção de leite ao longo da amamentação, e você não precisa se culpar por conta disso. Ela comenta que muitas mães se baseiam na quantidade de leite ordenhado (tanto manual quanto de bomba) para saber se estão produzindo, mas essa não é uma boa referência.
“Muitas mães podem apertar a mama e não ver uma gota de leite e vão achar que não estão produzindo, mas é o modo de apertar que está errado! Na ordenha manual, as mãos devem se posicionar atrás da auréola, puxando a mama inclinada para baixo”, explica.
Por isso, a referência deve ser a quantidade de xixi que o bebê faz ao longo do dia. Até o 4º dia de vida, é comum fazer menos xixi. Depois disso, o mínimo que o bebê deve fazer é de seis a oito fraldas por dia. Para quem deseja uma maternidade sustentável, é bom ter essa continha em mente, não é mesmo?
Como saber se há pouco leite?
A rigor, se seu filhote estiver saudável e se desenvolvendo bem, tudo indica que está tudo certo com a sua produção de leite. Contudo, se a preocupação bater, é essencial que você procure aconselhamento.
Se estiver tudo bem, você ficará tranquila mais rápido. E, ao sanar suas dúvidas, não cai na armadilha de introduzir fórmula ao seu bebê sem a real necessidade —, e isso fará com que sua produção reduza, já que seu corpo não recebe o estímulo da sucção do recém-nascido.
Saiba o que fazer nesses casos
Paloma explica que a maior parte da produção de leite tem fundo emocional. “Não existe fórmula mágica, é um processo fisiológico, natural, humano. Ou seja, se a mãe não estiver bem, a produção de leite vai ser comprometida”. Então, a especialista aconselha as mães a tentarem reduzir os fatores de estresse, cansaço e exaustão.
“Se a mãe estiver estressada, ocorre a liberação de substâncias que interferem na síntese de ocitocina e prolactina, principais hormônios de produção de leite materno”, ressalta a especialista. Por isso, lembre-se de que é fundamental estar bem-descansada para a liberação adequada dos hormônios no seu organismo.
A enfermeira também comenta que ter uma rede de apoio profissional e familiar é imprescindível durante o aleitamento. Ainda lembra que, sempre que o bebê dormir, é importante tentar cochilar, já que o sono influencia muito a produção de leite também.
Além disso, Paloma deixa estas dicas:
- tomar 3 litros de água por dia, pois a água é o principal componente do leite;
- comer peixes (em especial o atum e o salmão), abacate e mix de castanhas aumenta a gordura do leite, o que deixa o bebê mais saciado;
- tomar chás naturais que auxiliam na produção de leite;
- estimular que o bebê pegue bem a mama e sugue direito.
Sobre este último ponto, a entrevistada recorda: “Lembra quando eu disse que o nosso corpo é a fantástica fábrica de leite? Nessa fábrica, os operários são os hormônios (ocitocina e prolactina), e quem estimula o trabalho desses operários é o bebê”. Isso significa que quanto mais o bebê mamar, mais leite a mama vai produzir. Lindo, não é?
É comum que muitas mulheres fiquem com o seio rachado durante o período de aleitamento e, não raro, esse costuma ser um dos motivos para a desistência da amamentação. Por isso, é importante proteger as mamas com um Creme Protetor de Seios. A hidratação e a reparação da pele sensível dos mamilos são essenciais para aliviar os desconfortos.
Aliás, a hidratação da pele também é fundamental para minimizar as estrias na gravidez. Então, se você tem o costume de cuidar disso desde o início, a tendência é que os cuidados se estendam mesmo depois do nascimento do pimpolho.
Agora você já sabe quanto tempo a mama demora para encher de leite e o que fazer caso esteja com a produção baixa. A mensagem final que Paloma deixa para as mamães é que tirem suas dúvidas antes de o bebê nascer. Quanto mais segura emocionalmente a mãe estiver, mais prazerosa se torna a amamentação. “Preparem-se para o pré-natal, tirem suas dúvidas, vão atrás de informações, e não se comparem às outras mães!”, finaliza.
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